CATEGORIA: Infraestrutura

Menos lixo urbano é sinal de mais empregos?

Em uma cidade do interior de MG, sim. Iniciativa pública propõe projeto de coleta seletiva e cria, ao mesmo tempo, mais oportunidades de empregos para a população.

Cidades do interior de Minas Gerais têm dado um belo exemplo de fomento ao desenvolvimento social e econômico local envolvendo a participação da população e lideranças políticas. É o caso de Porteirinha, município de pouco mais de 37 mil habitantes no norte do estado. Com criatividade, vontade política e parcerias, a cidade mostrou como é possível contribuir com a preservação do meio ambiente e, ao mesmo tempo, gerar renda para muitas famílias.

Para enfrentar o problema da crescente produção de lixo urbano – realidade de tantas outras cidades mundo afora – a Prefeitura e a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis implementaram um programa de coleta seletiva que tem o objetivo de, progressivamente, sanar os problemas ambientais de resíduos sólidos descartados em aterros sanitários. Além disso, ao criar empregos, o programa influencia a economia local, aumentando o poder de compra das pessoas.

Para realizar o projeto, a Prefeitura e a ASCARP aderiram à iniciativas do governo federal e estadual, que auxiliaram na estruturação de uma rede organizada de catadores, na logística e na posterior comercialização do material recolhido. Foi feito também um trabalho educativo, que teve grande adesão por parte dos moradores.

O projeto foi implementado no formato piloto, atendendo a cerca de 25% da população da cidade. Em números, isso significa mais de 3 toneladas por mês de material reciclável. Agora, a expectativa é ampliar a ação para cobrir todas as regiões de Porteirinha e alguns distritos vizinhos.

Outra boa notícia é que outras cidades da região estão estudando o exemplo de Porteirinha e constantemente enviam representantes para conhecer de perto os resultados do projeto. Uma ideia que pode influenciar até você, na sua cidade.

 

Internet de graça para quem mantiver os impostos em dia

Cidade do interior do Paraná atinge 100% de inclusão digital com projeto inovador

Para solucionar um problema fiscal, Nova Aurora, cidade no interior do Paraná, criou um projeto que teve grande adesão por parte dos moradores. Além de equilibrar as contas públicas, foi possível fomentar o desenvolvimento social, educacional e econômico no município. A mudança teve início com a constatação da alta taxa de inadimplência do IPTU e o desafio de reverter a situação de forma inclusiva e inovadora. Em 2010, o “Nova Aurora Digital” foi implementado com o objetivo central de oferecer internet de graça e de qualidade a todos os cidadãos mediante a regularização de seus impostos.

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A Prefeitura fez um convênio com a Companhia Paranaense de Energia (COPEL) para o fornecimento de sinal de internet em fibra óptica. A partir da quitação dos débitos, o morador solicita uma senha de acesso e instala uma antena receptora do sinal. Em seus três primeiros anos, o projeto alcançou as metas ao registrar um aumento significativo da arrecadação do IPTU, que saltou de R$ 285 mil em 2010 para R$ 564 mil em 2013.

O sucesso da ideia influenciou outros setores da sociedade. O comércio local saiu ganhando à medida que as pessoas valorizavam cada vez mais os produtos e serviços relacionados à internet. No que diz respeito à educação, iniciou-se um trabalho de inclusão digital dentro das escolas municipais, que receberam laboratórios de informática – adquiridos em parceria com o Ministério de Educação (MEC).

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O setor industrial também se beneficiou. A democratização do acesso à rede atraiu empresas para se estabelecerem na região. De acordo com a Prefeitura, houve concessões de terrenos e galpões para a implementação de empreendimento de reciclagem de lixo, instalação de uma panificadora comunitária, implantação de uma metalúrgica de esquadrilha de ferro, dentre outras atividades.

Quanto a prefeitura gastou com tudo isso? Bom, aí vem mais uma notícia inspiradora. O investimento se deu em três fases, que custaram R$ 150 mil cada – quantia já paga com o aumento na arrecadação do IPTU. Hoje, o Nova Aurora Digital gasta R$ 17 mil para manter o sistema em funcionamento, o que corresponde a 0,89% da receita anual do município.

 

Esse trabalho resultou no reconhecimento de Nova Aurora como um dos municípios mais bem administrados do Paraná. E a sua cidade? Como ela é conhecida? Inspire-se e colabore com ações para o desenvolvimento do local onde você mora.

Macapá discute Plano de Mobilidade Urbana Sustentável

Capital do Amapá realiza debates para montar estratégia e melhorar rede de transportes

Macapá reuniu representantes da cidade para discutir um plano de expansão e melhorias de sua rede de transportes. A ONG Embarq Brasil, focada em desenvolvimento urbano sustentável, montou um workshop chamado “Do PAC ao Plano de Mobilidade Urbana”. Representantes de secretarias municipais, entidades ligadas ao setor de transportes e gestores públicos alinharam informações sobre atividades e responsabilidades de cada órgão. Na reunião, eles também conheceram as melhores práticas internacionais para construir, junto à população, o melhor caminho para o sucesso dos projetos.

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“Do PAC ao Plano de Mobilidade Urbana” é coordenado pelos especialistas da Embarq Brasil e implantado em diversas cidades brasileiras como Londrina, Juiz de Fora, Pelotas e Macapá. O objetivo é ajudar as cidades a desenvolverem a mobilidade urbana privilegiando os interesses dos cidadãos. Em Macapá, os participantes debateram a necessidade de ressaltar a geografia única da cidade, banhada pelo rio Amazonas e localizada na Linha do Equador. O interesse em se tornar referência em sustentabilidade e qualidade de vida na região amazônica foi apontado pela maioria.

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Oito eixos principais foram discutidos no workshop: transporte coletivo; participação popular; sistema viário; pedestres e ciclistas; transporte de carga; espaços públicos; taxis e mototaxis; e veículos privados.

E em sua cidade, como está a discussão sobre mobilidade urbana? Vocês têm acompanhado as tendências e aplicações de soluções tecnológicas?

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Programa de televisão da Cidade do Panamá instala buracos que “twittam” pedido para serem tampados

Cada vez que um carro passa por um buraco na rua, um tweet é enviado para a conta oficial do Ministério de Obras Públicas do Panamá

O programa de televisão Telemetro, um dos maiores influenciadores televisivos do Panamá, se aliou à agência P4 Ogilvy & Mather para pedir melhorias nas ruas da Cidade do Panamá. Juntos, eles criaram os “buracos twitteiros”, ou “hueco twittero” em espanhol. Grandes buracos nas vias mais movimentadas ganharam um sistema eletrônico que funciona como um “botão”. A cada carro que passa pelo buraco, o dispositivo envia uma reclamação via Twitter à conta oficial do Ministério de Obras Públicas (MOP).

O botão é um sensor de movimento, que passa um sinal de rádio para um receptor (que fica na calçada, próximo ao buraco) conectado a um sistema que envia o tweet automaticamente. Nas primeiras 24 horas dos buracos cibernéticos, o MOP já deu uma resposta oficial com objetivo de melhorar a infraestrutura viária da Cidade do Panamá.

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A inciativa recebeu cobertura intensa no jornal Telemetro e também de outras mídias nacionais e internacionais. Graças aos tweets, as ruas vêm ganhando novas camadas de asfalto e cuidados. Os criadores do sistema estudam a possibilidade de expandir o projeto ao interior do país, além de criar dispositivos parecidos reivindicando outras melhorias para a cidade.

Veja o vídeo de divulgação (em inglês):

 

 

 

 

Ponte ou parque elevado?

Na Holanda, projeto une dois bairros proporcionando segurança e natureza para pedestres e ciclistas

Imagine-se vivendo em uma cidade onde é preciso pegar o carro para chegar em um bairro próximo ao seu porque o acesso é complicado por bicicleta ou mesmo a pé. Linhas de trem e estradas impedem a mobilidade de um ponto ao outro. A solução seria construir uma ponte? Na Holanda, na cidade de ‘s-Hertogenbosch teve esta ideia, mas acabou elaborando um projeto muito maior.

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A Paleisburg (nome da edificação) é um parque suspenso e uma ponte ao mesmo tempo. A estrutura tem vias para pedestres, ciclovia e projeto paisagístico com vários tipos de plantas. A ponte mede 250 metros e liga o centro histórico de ‘s-Hertogenbosch a uma área chamada Paleiskwartier, que vem se desenvolvendo recentemente e reúne universidades, casas e escritórios.

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O diferencial deste projeto está em sua base, feita de placas de aço à prova de mudanças climáticas que proporcionam uma vida útil de, no mínimo, 100 anos. Além disso, foi instalado um sistema de aquecimento do chão para que a ponte não congele no inverno e evite a necessidade de jogar sal durante esta estação do ano – uma prática para derreter neve que acaba diminuindo a durabilidade das estruturas metálicas.

Outro destaque do projeto fica por conta da vegetação. O esquema de árvores e arbustos divide a ponte em três áreas, cada uma com características diferentes. Existe a seção com plantas de estilo savana, outra com vegetação mais alta e densa e no meio encontra-se uma flora mais baixa – para não atrapalhar a vista. A diversidade permite que durante todo o ano floresçam diferentes espécies vegetais.

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A ponte ainda é composta por bancos e iluminação de LED, alimentada por energia solar. Isso a torna muito mais convidativa e segura, inclusive durante à noite.

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E aí na sua cidade? Uma ponte dessas traria mudanças significativas? Compartilhe seus impressões nos comentários.

Fábricas de cerâmica no RJ, têm projeto sustentável

O projeto em Itaboraí investe troca óleo derivado do petróleo por biomassa e faz parte de programas de venda de créditos de carbono

As empresas Cerâmicas Guaraí, Itabira e Santa Izabel, no município de Itaboraí, RJ, trocaram o óleo BPF, derivado do petróleo, por lixo orgânico e madeira sustentável na geração de energia para suas linhas de produção. Antes da implementação do projeto “Rio Cerâmica Biomassa”, as fábricas usavam cerca de 4,1 milhões de litros de óleo por ano para produzir 60 mil toneladas de tijolos de cerâmica. Hoje, o óleo foi substituído pela queima de serragem, que antes era descartada como lixo pelas indústrias locais, além de madeira de áreas de reflorestamento sustentável.projetosustentávelolho1

A decisão de trocar o combustível inspirou as fábricas a investir em infraestrutura. Uma alimentadora automática para a biomassa reduziu a exposição dos trabalhadores às altas temperaturas das caldeiras, significando um ambiente mais seguro.

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Mulheres foram contratadas prioritariamente para trabalhar no processo produtivo das fábricas, incluindo-as no setor da construção civil, que é caracterizado por ser predominantemente masculino. De acordo com Cardoso, proprietário da Cerâmica Itabira, essa escolha está gerando bons resultados, pois a perda de produção tem sido melhor. “As mulheres se mostram mais cuidadosas e responsáveis”, afirma. Também há esforços para contratação de pessoas portadoras de deficiência e ex-presidiários, para ajudá-los a reinserir-se no mercado de trabalho.projetosustentávelolho12

Parte da madeira empregada como biomassa nas fábricas é comprada da ONG Mundo Verde, que organiza moradores de favelas próximas na coleta de resíduos de madeira. As fábricas investiram também em revitalização de quadras esportivas, entrega de materiais de construção para reforma de escolas e outras iniciativas, como a doação de cestas básicas para as vítimas dos deslizamentos de terra em Teresópolis em 2011.

O projeto faz parte de programas de venda de créditos de carbono e já está em sua quarta verificação de emissões. Estima-se que a substituição por biomassa nas fábricas reduzirá 423.036 toneladas de dióxido de carbono em 10 anos.

 

Conheça outros projeto s sustentáveis:

 

Fontes 1/2

O Leite no Quênia

Queniano faz o redesign de um recipiente de leite e muda a vida da população

Projeto quer ouvir os cariocas para melhorar as políticas públicas do Rio de Janeiro

Com o projeto, prefeitura irá analisar as demandas inseridas e qualificar as diferentes ações dos órgãos governamentais

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Criado pelo LAB.Rio, Laboratório de Participação da Prefeitura do Rio de Janeiro, o projeto Mapeando é um meio que os cidadãos cariocas têm de qualificar as políticas públicas existentes e sugerir novas. No mapa disponível, as pessoas adicionam pontos de comentários e sugestões e esses dados são analisados para definir as prioridades da prefeitura. Periodicamente, as reclamações e sugestões mais populares são enviadas para os órgãos de cada área.

Para entrar, basta criar um login no site com seu e-mail. Uma vez dentro da plataforma, é possível colocar novos pontos no mapa pedindo pela melhoria de serviços. Os usuários também podem comentar demandas de outras pessoas para que elas tenham mais visibilidade. Por enquanto, o foco é em mobilidade, com demandas por transporte público, melhoria de travessias de pedestres, ciclovias e novos pontos de ônibus.

 

Quem fez acontecer?

LAB.Rio, Laboratório de Participação da Prefeitura do Rio de Janeiro

Bambu é utilizado como material sustentável para construção de casas

Em Bali, é possível construir edificações luxuosas, sustentáveis e seguras

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Esta casa fica em Bali, na Indonésia, e é um projeto da empresa especializada em construção sustentável Ibuku. Liderada pela norte-americana Elora Hardy, os projetos da Ibuku provam que estruturas luxuosas e complexas podem ser feitas com material barato e ecologicamente correto como o bambu.

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Elora é uma designer de estampas que trabalhou durante anos com marcas famosas como Donna Karan e largou a carreira bem sucedida na moda para desenvolver este projeto em Bali que desafia as noções tradicionais de construção. De acordo com a designer, com o tratamento eficaz contra insetos, o bambu torna-se o material de construção ideal porque ele tem a força de compressão do concreto e a resistência à tração do aço. Além disso, é resistente a terremotos e leve o suficiente para ser facilmente transportado por uma pessoa ou um pequeno grupo.

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Outro ponto positivo do uso de bambus é que eles são uma alternativa sustentável e renovável à madeira, já que o seu crescimento é bem mais rápido. Elora testemunhou bambus crescerem 1 metro em uma semana. Algumas espécies crescem até 2 cm por hora ou até 1.5 m por dia.

No entanto, o bambu nem sempre foi considerado uma opção permanente de moradia. Ele é usado, principalmente nesta região, como uma matéria-prima temporária, porque sem o tratamento específico contra insetos, o material é rapidamente consumido por pragas e reduzido a pó. Tendo isso em vista, a Ibuku trata os bambus com uma solução de boro de baixa toxicidade que os tornam incapazes de serem digeridos por insetos.

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Tudo o que Elora tem feito é uma continuação do trabalho que seu pai começou a realizar em Bali anos atrás. A intenção é mudar o mindset local sobre a utilização de bambu e estudar novas formas de utilização da matéria-prima. Atualmente, seus projetos são residências privadas, hotéis e até salas de aula na Green School, sempre dando valor ao trabalho artesanal local. Todas as edificações são feitas à mão por profissionais da região, de artesãos a engenheiros. Esta também é uma importante decisão da empresa: empoderar profissionais locais.

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Uma ideia que pode e deve ser espalhada por aí. Uma curiosidade: sabia que o bambu é uma espécie de grama selvagem? Calcula-se que existam mais de 1200 espécies no mundo todo que crescem de forma nativa em todos os continentes, com exceção da Europa. Isso significa que não seria difícil se inspirar nos projetos da Ibuku para criar novas soluções para diferentes cidades.

Londres terá ciclovias que brilham pelas ruas da cidade

A cidade inglesa vai implantar material que faz com que as ciclovias brilhem e garantam mais segurança ao ciclista e economia para a cidade

A cidade de Londres desenvolveu uma tecnologia que melhora ainda mais a qualidade de suas ciclovias. Enquanto algumas cidades do mundo ainda estão na luta pela implementação de mais espaços para ciclistas, a cidade do Reino Unido já otimiza as vias e cria as ciclovias que brilham no escuro.

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Este caminho azul brilhante da imagem acima é chamado de “starpath”. É uma tecnologia desenvolvida pela empresa Pro-Teq Surfacing que faz uso de um material que absorve os raios UV durante o dia e libera, à noite, uma coloração azul topázio que ajusta os níveis de brilho, semelhante à uma tela de um iPhone. Confira no vídeo abaixo como o produto é aplicado e o seu funcionamento:

A ideia, na verdade, não é tão nova. O protótipo da “startpath” foi implementado em 2013 em 140 metros de ciclovia e de acordo com a empresa responsável, a aplicação do produto não levou mais do que 4 horas, o que tornaria viável e rapidamente aplicável no restante das ciclovias da cidade.

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A “starpath” tem o potencial de reduzir a pegada de carbono do município diminuindo os custos de energia e a poluição luminosa. Além disso, o material é antiderrapante e resistente à água, o que proporciona mais segurança para o ciclista pedalar à noite e, também, para o pedestre em qualquer horário do dia.

De quebra, as ciclovias ganham este visual moderno e chamativo que, pelo menos em Londres, já ganhou as graças da população e pode ser colocado em novas áreas da cidade.

Que tal divulgar esta ideia no seu círculo de amigos e contribuir para a disseminação de projetos que podem, um dia, transformar também a sua cidade?