Montreal, Canadá tem 2 atitudes empreendedoras

As Fazendas de Montreal

A empresa Lufa Farms criou um modo de produção que evita desperdícios de alimentos. Entenda como funciona:

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Empresa comprova a viabilidade das fazendas urbanas

Empreendedor de Montreal cria método para ampliar a produção e a distribuição e revoluciona o setor de alimentos

Urban Farms ou Fazendas Urbanas, já ouviu falar a respeito? O conceito foi popularizado por um professor chamado Dickson Despommier que, em 1999, afirmou que a agricultura urbana em grande escala era a direção mais lógica a se seguir tendo em vista a necessidade de alimentar 9 bilhões de pessoas no mundo (até o ano de 2050), com 70% deste número vivendo em densas áreas urbanas.

Ele não estava errado. No entanto, 15 anos depois, a produção em larga escala de alimentos produzidos em fazendas verticais urbanas ainda está longe de ser uma realidade. Isso porque o setor ainda luta para lidar com desafios de engenharia que fazem do cultivo de alimentos em cidades um negócio dispendioso. Além disso, as vendas e distribuição também se mostraram ser mais difíceis do que o esperado. Então, o que precisa ser feito?

Em Montreal, uma empresa pretende responder a estas questões.

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A Lufa Farms, de acordo com o CEO Mohamed Hage, criou sua primeira estufa na cobertura de um edifício comercial no norte de Montreal. A área, uma zona industrial delimitada por duas rodovias, estava longe de se destacar em revistas de design, mas era o local perfeito para o salto produtivo que ele almejava.

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A instalação se deu em uma área de 2.900 m2 e toda a produção utiliza a técnica de hidroponia, em que a água fornece nutrientes para as plantas sem a necessidade de plantio em terra. Além disso, os métodos da empresa excluem qualquer tipo de pesticidas, herbicidas ou fungicidas, e ela adota o controle biológico de pragas para se livrar de insetos nocivos. Hage ainda afirma que trata-se de “um cultivo com mais softwares do que fazendeiros”, por isso foi possível pensar em grande escala de produção.

Então, a maior inovação da empresa tem pouco a ver com técnicas de cultivo ou arquitetura: é puramente marketing e e-commerce. Lufa vende seus produtos através de um complexo sistema de distribuição que em nada lembra o habitual método “vender o que se tem” de cooperativas encontradas em muitas cidades.

Os consumidores podem pagar um valor mínimo de 30 dólares para ter suas cestas semanalmente preenchidas com alimentos da Lufa, ofertados em uma loja online muito bem preparada. A empresa ainda fechou parcerias com outros fabricantes de produtos locais para oferecer mais aos seus clientes, como pães frescos, ervas e mel, por exemplo.

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Cada produtor recebe uma ordem indicando exatamente quantas baguetes, litros de leite ou quilos de batatas serão necessários para as encomendas no dia seguinte. Depois de tudo escolhido, preparado, engarrafado e embalado, Lufa recebe as caixas em seu armazém que, por sua vez, são enviadas para mais de 150 pontos de coleta na cidade.

Este sistema baseado em demanda reduz drasticamente o desperdício, tanto do lado do produtor como no armazém da Lufa, uma vez que não existirão produtos não vendidos para serem descartados das prateleiras das lojas. Também reduz consideravelmente a necessidade de embalagens.

Por este feito logístico notável, a empresa pode muito bem ter resolvido um dos maiores problemas que assolam o sistema alimentar global. Você sabia que cerca de 40% dos alimentos não consumidos nos EUA vai direto para os aterros sanitários? E que cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos destinados ao consumo humano se perde ou é desperdiçado a cada ano no mundo?

Um dos pilares da nova economia “da fazenda para a mesa” é facilitar a comercialização e distribuição para os produtores locais e limitar o número de intermediários na cadeia de abastecimento. Esse desafio tem se mostrado perfeito para uma série de novas empresas de tecnologia, como é o caso da Lufa de Montreal.

Quem fez acontecer?

O empreendedor canadense Mohamed Hage.

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