Porto Alegre, RS tem 1 atitude empreendedora

Cidadãos se mobilizam para dar nova vida à construção histórica

Os resultados da iniciativa são surpreendentes e conjunto de edifícios antigos sedia revolução cultural e econômica em Porto Alegre

E se em vez de derrubarem prédios centenários para a construção de arranha-céus, as cidades e os moradores se apropriassem de sua história arquitetônica, fomentassem a cultura local e o desenvolvimento econômico com projetos de arte, educação, criatividade e negócios? Em Porto Alegre (RS), foi exatamente isso que aconteceu no bairro Floresta. Um conjunto de três edifícios da década de 1920, que somam 2.332 m² de área construída, foi transformado no Vila das Flores, um centro que abriga muitas funções como espaço para atividades socioculturais, artísticas e empreendedoras.

O processo começou em 2012, com encontros informais entre os proprietários e pouco mais de 20 pessoas, envolvidas com empreendedorismo criativo. No boca a boca, o grupo cresceu, assim como as ideias para o espaço. No ano seguinte, um evento, que reuniu 60 artistas, deu visibilidade para a iniciativa e comprovou a vocação do lugar em ser um ambiente multifuncional e artístico.

Hoje formalizados como Associação Cultural Vila Flores, eles cuidam e representam o projeto, que possui quatro norteadores para as atividades realizadas no local: arte e cultura (eventos e atividades de artes visuais e cênicas, audiovisual, música, gastronomia), educação (cursos e oficinas), empreendedorismo (fomento de negócios locais) e regeneração urbana (atividades que visam a melhoria da vida na capital gaúcha).

VilaFlores

Apartamentos estão sendo transformados em residências temporárias, espaços comerciais com lojas, cafeterias e um memorial. Hoje, 20 empresas e projetos são sediados na Vila Flores, dentre escritórios de design, arquitetura, empresas de tecnologia e até uma companhia de teatro.

“Porto Alegre é aberta a economia criativa. A Vila, além de ser um espaço cultural, é uma incubadora com um monte de empresas de relacionando e se potencializando. Também agregamos uma questão histórica, resgatando edifícios que estavam deteriorando e isso traz outra dinâmica para a vizinhança. Outro ponto positivo é nossa agenda educativa, com capacitações abertas a pessoas em vulnerabilidade social. Mais de 3 mil pessoas circulam por aqui todo mês e isso contribui para o desenvolvimento econômico, social e cultural urbano”, diz Aline Bueno, gestora cultural do Vila Flores.

E em sua cidade, o que tem acontecido para preservar as riquezas histórico-culturais?